PROJETO “SAPATOS QUE PENSAM”

Os Museus, enquanto responsáveis pela salvaguarda e valorização territorial e identitária das comunidades onde se inserem, têm um importante papel no desenvolvimento das sociedades. Traçando pontes entre passado, presente e futuros, os museus tornam-se espaços privilegiados para o diálogo. São locais para despertar curiosidades, que contribuem nas transformações culturais e que, não menos importante, promovem o desenvolvimento de sociedades mais sustentáveis.

O Museu do Calçado apresenta, neste contexto, o projeto “Sapatos que Pensam”. Este é um projeto-processo que se vai construindo a si mesmo e onde o objeto “sapato”, despido (ou não) da sua função primordial, toma lugar de destaque. Apelando à inquietação, à emoção e à reflexão sugeridas pelos sapatos que usamos no nosso tempo e no nosso mundo, "Sapatos que pensam" é um desafio a todos aqueles que se questionam e nos fazem questionar sobre o mundo que nos rodeia, o tempo presente e os futuros que se querem criar.

 

EXPOSIÇÃO - INSTALAÇÃO "A VERDADE DÓI"

No âmbito do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, esta exposição-instalação deu voz a inúmeras mulheres que viram as suas vidas destroçadas por atos de violência.

A violência contra as mulheres é uma das mais transversais à História e sociedades do mundo, atravessando classes sociais e idades. São muitos e diversos os atos profundamente violentos aceites, como a mutilação genital ou o tráfico sexual e que, por pressões sociais, continuam a ser praticados.

Muitas vezes justificados por tradições culturais, dogmas religiosos ou relações de poder instituídas, são atos de violência contra as mulheres que acabam, em muitos casos, em tolerância e até impunidade para com os agressores.

Apontadas pela sua falta de decoro, culpabilizadas pela forma livre como se vestem, acusadas de provocação, pressionadas a reduzirem os seus contactos sociais, alvos de acusações infundadas, objetificadas pelo seu género sexual, estas mulheres sentem-se derrotadas, inúteis, sem saída.

A partilha das suas histórias, dos momentos mais negros que viveram e das experiências de superação servem, assim, de alerta e motivação para que estes casos não voltem a repetir-se, para que sejam levados à justiça e não fiquem escondidos sob uma nuvem de vergonha e constrangimento.

A Verdade Dói! Falar é reviver tudo o que aconteceu, mas é também um ato de coragem e um primeiro passo para o processo de cura. E o silêncio daqueles que também partilham destes problemas, não sendo vítimas diretas, tem de deixar de existir.

A violência contra a mulher é um problema global e Portugal não é exceção. Os números são assustadores quando se anuncia que, em 2020, são já mais de 11 mil os casos só de violência doméstica.

A este valor soma-se o da violência de género, da obstétrica, da sexual, da psicológica, da financeira, do tráfico de mulheres, do assédio sexual e moral, da perseguição e bullying e de qualquer outra forma de comportamento abusivo. Esta é, pois, uma realidade que tem de ser rapidamente eliminada.

Assim, mais uma vez o Museu do Calçado assume-se como meio transmissor desta mensagem fazendo uma homenagem às vítimas de violência de género.

Calce um par destes sapatos e deixe-se sentir… e imagine se um dia, este mesmo par não poderá, também, vir a contar a sua história a outra pessoa.

Estes não são sapatos de vítimas, mas servem para que todos e cada um percorramos, simbolicamente, o caminho destas mulheres. O seu vermelho é a cor do feminino e do amor, mas também do sangue e da vida que aqui se encontra interrompida e adiada para um futuro incerto.

Como diz Léa, O sonho é uma das primeiras coisas que se perde… e sonhar é fundamental para se viver.

PROJETO SAPATOS QUE PENSAM