Não sejas cúmplice: dá um passo contra o femicídio

SOBRE O PROJETO “SAPATOS QUE PENSAM”

Os Museus, enquanto responsáveis pela salvaguarda e valorização territorial e identitária das comunidades onde se inserem, têm um importante papel no desenvolvimento das sociedades. Traçando pontes entre passado, presente e futuros, os museus tornam-se espaços privilegiados para o diálogo. São locais para despertar curiosidades, que contribuem nas transformações culturais e que, não menos importante, promovem o desenvolvimento de sociedades mais sustentáveis. O Museu do Calçado apresenta, neste contexto, o projeto “Sapatos que Pensam”. Este é um projeto-processo que se vai construindo a si mesmo e onde o objeto “sapato”, despido (ou não) da sua função primordial, toma lugar de destaque. Apelando à inquietação, à emoção e à reflexão sugeridas pelos sapatos que usamos no nosso tempo e no nosso mundo, “Sapatos que pensam“ é um desafio a todos aqueles que se questionam e nos fazem questionar sobre o mundo que nos rodeia, o tempo presente e os futuros que se querem criar.

 

NÃO SEJAS CÚMPLICE. DÁ UM PASSO CONTRA O FEMICÍDIO.

Homenagem às mulheres assassinadas em 2018.

Entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2018 morreram em Portugal 28 mulheres, assassinadas no contexto de relações de intimidade. Queremos, com esta instalação simbólica, homenagear as mulheres assassinadas por maridos, ex-maridos, companheiros, ex-companheiros, namorados, ex-namorados e outros familiares, mostrando que estes crimes hediondos têm de ter fim. Cada par de sapatos simboliza uma mulher, a sua vida, os seus sonhos, o seu caminho criminosamente interrompido. O vermelho adota um duplo significado: por um lado, o amor, a paixão, a energia na e da vida de cada uma delas, por outro, a violência do crime cometido, o fim abrupto de uma história e o sangue derramado. Metaforicamente, convidamos todas as pessoas a calçar estes sapatos e, ainda que por breves momentos, a percorrerem o caminho destas mulheres, sentindo a sua dor. O silêncio e a indiferença de uma sociedade machista e patriarcal que coloca a responsabilidade nas vítimas e não nos agressores, a falta de proteção adequada para muitas destas mulheres (mesmo quando já apresentaram denúncia/s) e a mensagem de tolerância e impunidade tantas vezes enviada pelo nosso sistema judicial, em muito contribuem para este crime. Por elas, por todas as mulheres que sofrem e/ou sofreram, por todas as crianças que veem e/ou viram as suas mães sofrerem, serem maltratadas e, demasiadas vezes, mortas, não podemos calar. Vamos lembrar, vamos falar, vamos dizer publicamente que nos indignamos, que não aceitamos e que censuramos a violência contra as mulheres. E apelamos a todos e a todas que deem, connosco, mais um passo contra o Femicídio, exercendo a sua cidadania, enviando uma mensagem clara de censura aos agressores, manifestando indignação por todos os atos que sejam atentatórios dos Direitos Humanos das Mulheres e trazendo à memória coletiva as vítimas e o seu sofrimento. Pretendemos, ainda, e por cada uma destas vozes silenciadas, enviar a mensagem inequívoca de que os agressores/assassinos têm de ser condenados e de que a sensação de impunidade de que gozam os crimes de Violência Doméstica e de Femicídio em Portugal tem de terminar.

 

UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta

NÃO SEJAS CÚMPLICE: DÁ UM PASSO CONTRA O FEMICÍDIO